Reino Unido e França optam pelo cigarro eletrónico

Além de estar na origem de tentativas bem-sucedidas de cessação tabágica, o vaping tem maior potencial do que outras terapias de reposição de nicotina junto das pessoas que tentam deixar de fumar. Esta é a conclusão da mais recente avaliação independente comissionada pela Saúde Pública de Inglaterra.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido assume o vaping, comumente chamado cigarro eletrónico, como uma das receitas para pôr fim ao vício do tabaco. O cigarro eletrónico pode, ou não, conter nicotina, mas apresenta-se como uma solução sem combustão, a principal responsável por algumas das substâncias mais nocivas do tabaco. Por recorrer ao aquecimento de uma substância líquida, que resulta em vapor, ao invés da combustão de outros materiais, o cigarro eletrónico é visto, por alguns, como uma solução muito menos prejudicial do que o tabaco.

Num processo de cessação tabágica no Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, são explicados os vários tipos de cigarro eletrónico disponíveis no mercado e são aconselhados consoante a quantidade de tabaco que a pessoa consome. Estes equipamentos não são, no entanto, prescritos pelas autoridades da saúde, sendo os custos suportados pelos próprios fumadores que decidam optar por esta solução.

Mas não é só o Reino Unido que, na Europa, está a adotar o vaping. Também França seguiu o exemplo, mas de forma temporária. No seu mais recente “Mês Sem Tabaco”, uma iniciativa promovida pela Saúde Pública francesa, a opção dos cigarros eletrónicos foi apresentada como uma alternativa auxiliadora na missão de acabar com o consumo de tabaco tradicional. No final do ano passado, foi lançado um desafio muito claro aos fumadores: deixem os cigarros durante trinta dias. A iniciativa teve o intuito e a esperança de conseguir suprimir o hábito por completo. O período dos trinta dias não foi escolhido ao acaso: a maioria dos sintomas de privação de tabaco começa ao final de um mês, pelo que a probabilidade de sentir o impulso de pegar num cigarro deverá ser menor.

Entre as várias informações fornecidas pela autoridade de Saúde Pública francesa no lançamento deste projeto, os cigarros eletrónicos foram incluídos na lista de diferentes estratégias de abandono dos cigarros.

Tendo em conta estes casos práticos, poderemos, então, considerar que os cigarros eletrónicos representam uma solução para deixar de fumar? Apesar dos exemplos de sucesso comprovados, a resposta não é consensual.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) continua a desaconselhar o uso do cigarro eletrónico, considerando-o uma opção penalizadora para a saúde e pouco segura. A OMS assume que a melhor abordagem será não utilizar nem o cigarro eletrónico, nem o cigarro convencional. Por seu turno, alguns defensores públicos do vaping discordam desta narrativa e chegam a considerá-la uma decisão mais política do que científica.

Já a Cochrane, organização internacional independente e parceira oficial da OMS, chega a uma conclusão ligeiramente diferente. Focada em investigação médica e revisões de estudos na área da saúde, a Cochrane lançou recentemente uma avaliação sobre produtos de vaping. Após análise de 50 estudos e envolvendo cerca de 12.500 fumadores, recorreu a uma comparação entre os cigarros eletrónicos e vários métodos tradicionais para deixar de fumar, como os adesivos de nicotina. Entre outras coisas, conseguiu concluir que a probabilidade de abandonar o tabaco é maior quando um dos recursos usados é o vaping. Adianta também que os cigarros eletrónicos de nicotina podem ajudar mais pessoas a deixar de fumar do que qualquer apoio complementar ou ajuda comportamental apenas.

Em Portugal, a estratégia das autoridades de saúde na prevenção e controlo do tabagismo continua a não passar pelo recurso aos cigarros eletrónicos.

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